Introdução

Quando uma oportunidade é aberta, o ponto de partida é você considerar a experiência de te contratar, entendendo a realidade de quem abriu a vaga. Na maioria dos casos, os tomadores de decisão são pessoas extremamente ocupadas, que não são especialistas em Recursos Humanos — e que além de avaliarem, ainda precisam cumprir suas diversas tarefas normais.

Logo, entende-se que toda e qualquer ação a ser tomada por você nesse processo precisa ser prática, rápida e eficaz, estando orientadas a proporcionar uma jornada marcante ao contratante. Infelizmente, a realidade é bem diferente: eles têm que lidar com UX/UI Designers despreparados para uma avaliação e ausentes, fatores que fazem com que percam o timing da vaga porque forçam avaliadores a ter de esperar que se preparem para serem avaliados, e depois esperarem ainda mais por sua resposta tardia.

Ver, ouvir, decidir: O que um avaliador realmente quer

Vamos a um ponto básico: O que um avaliador quer?

  • Ver seus trabalhos para te dar credibilidade
  • Ouvir as histórias e porquês que você irá dizer
  • Decidir por sua contratação, pensando no máximo aproveitamento de suas habilidades

Conforme citamos no artigo “Como vagas de UX/UI Designer são abertas?”, quanto mais rápido for esse processo, melhor.

A analogia da cadeira

Você é um fabricante de cadeiras. Seu telefone toca: é um cliente precisando urgentemente de uma nova cadeira, pois a dele quebrou. Ele diz: “Olá! Preciso de uma cadeira e não encontrei fotos da que você faz, pode me enviar?”

Você então responde: “Não tenho fotos para enviar agora, mas olha, a cadeira que eu faço é bonita, confortável e se adapta a qualquer ambiente. Vou tirar fotos e te mando!”

Não poder ver a imagem vai imediatamente desencorajá-lo de sua intenção de compra, pois ele tem ciência de que a parte mais preocupante ainda está por vir: quando receber a cadeira, ele irá usá-la. Passar pela situação de não gostar da cadeira e ter que devolvê-la é sem dúvida o que ele não quer, e o primeiro sinal disso já é não ter conseguido nem ver a cadeira.

No universo de contratação não é diferente. Candidatos não têm projetos atualizados para mostrar, pedem mais tempo para montá-los e fazem alegações sem comprovação, esperando que o avaliador lhes dê um voto de confiança.

Mas como você não é um objeto de varejo, se o avaliador se arrepender de sua decisão não poderá simplesmente ligar no SAC, devolver o produto e pedir outro. Arrepender-se de uma contratação é um processo caro, estressante, demorado e até traumatizante, dependendo das atitudes de ambas as partes.

Por isso, empresas são altamente criteriosas e exigentes em seus processos seletivos, e esperam que você dê respostas rápidas e certeiras para que seu tempo renda. Antes de oferecer sua cadeira, mostre-a para despertar o desejo de compra no consumidor.

Preparação: A necessidade fundamental

Para UX/UI Designers, estar preparado representa muito mais do que somente estar disponível para atender uma ligação, responder um e-mail ou uma mensagem direta. Significa que você já precisa ter feito um conjunto de ações que são esperadas pelo recrutador.

O que recrutadores pedem imediatamente?

Conforme falamos no artigo “LinkedIn + Portfolio: Encontrando o ponto de equilíbrio”, suas expectativas no primeiro momento consistem basicamente em encontrar:

  • Um portfólio atualizado (para poderem avaliá-lo tecnicamente)
  • Um perfil no LinkedIn (para poderem ver sua trajetória e experiência)

O que passar disso pode ser considerado um fator a mais que te coloca à frente dos demais concorrentes. Um bom exemplo desse over delivery seria ter um site próprio único, bonito, funcional e atualizado que já reúna as informações mais relevantes desses dois lugares, isentando o recrutador de ter que visitar mais de um lugar.

Portanto, considere que ter tais fatores trabalhando por você é estar preparado. É completamente inadequado pedir ao avaliador que lhe dê mais tempo para atualizar seu portfólio.

Presença: O senso de urgência em ação

Partindo do pressuposto de que você está preparado para ser avaliado, passamos para a próxima fase, onde imediatamente avalia-se o seu comportamento. Daqui em diante, todas as suas ações estarão sendo “gravadas”, uma vez que os candidatos que não tinham perfil já foram desclassificados.

Como você passou da primeira onda, as expectativas são maiores, e tendem a aumentar ainda mais nas próximas ondas. Por isso, é justamente nesse ponto que o senso de urgência toma a frente: cada minuto investido em você deve compensar, afinal você ainda está concorrendo com outros profissionais, só que agora, iguais ou melhores do que você.

Faça o tempo trabalhar a seu favor

A velocidade de suas ações é um ponto de grande valor. Além de revelar seu real e genuíno interesse na vaga, ela passa a impressão de respeito ao tempo do avaliador. Se tudo o que lhe for solicitado tiver uma resposta pronta, ganha-se mais pontos.

5 fases críticas onde o senso de urgência é determinante

Fase 1 – Esteja pronto para se candidatar

Se seu portfólio não está pronto, o recrutador percebe. Em tempos de links compartilháveis e portfólios digitais, não ter uma apresentação estratégica é erro grave.

O que é um portfólio eficaz hoje?

  • Seja seletivo: traga seus melhores projetos, priorizando áreas de UX/UI e cases atuais
  • Remova trabalhos de outras áreas ou conteúdos irrelevantes
  • Nada de “deixar para depois porque estou muito ocupado” ou usar a senioridade como desculpa

Deixar o portfólio bagunçado é o novo “chegar atrasado” da era digital — só revela desleixo.

Dica prática: Direcione seu portfólio à vaga. Se você tiver experiência em diversas indústrias e estiver se candidatando a uma vaga em um banco, por exemplo, é evidente que apresentar projetos relativos a essa indústria irá dar peso ao seu perfil. Essa ação precisa ser fácil, simples e rápida.

Fase 2 – Avalie seu fit com a vaga

Atirar para todos os lados é uma das estratégias mais antigas (e ineficazes) do mercado. Empresas descrevem as vagas com propósito. Ignore e sua credibilidade vai por água abaixo.

Pergunte-se:

  • Quais competências são essenciais?
  • O seu perfil conversa com o desafio proposto?
  • Se a vaga pede um UX Researcher e seu portfólio só tem arte final, refaça o filtro

Deixar claro o seu fit profissional é respeito pela empresa — e pelo seu próprio tempo.

Fase 3 – Faça o contato corretamente

Sua apresentação diz muito sobre quem você é — antes e fora do portfólio. Mensagens impessoais (“segue CV e portfólio”) não despertam interesse, só sinalizam indiferença ou excesso de automatização.

Boas práticas:

  • Escreva um e-mail (ou mensagem) breve e personalizado
  • Apresente-se pelo nome, cargo de interesse e motive sua candidatura
  • Use uma comunicação clara e objetiva, sem firulas e jargões desnecessários
  • No ambiente digital, profissionalismo na escrita conta muito

Ação estratégica: Se sua vontade de trabalhar em certa empresa for gigante, invista tempo em uma apresentação de alto impacto. Você não precisa de uma semana inteira para isso: seja rápido para não perder o timing. Descubra quem são avaliadores e como impressioná-los, saiba tudo sobre a empresa, expresse sua relação pessoal com o produto dela, explique diretamente como sua presença pode conduzir a resultados.

Fase 4 – Seja presente e disponível

Se comprometeu com o processo? Mantenha-se presente. Responda rápido, confirme entrevistas e esclareça dúvidas prontamente. Lembre-se: silêncio é entendido como desinteresse.

Ações essenciais:

Responda rápido a e-mails: Talvez por estarmos na era do contato direto, as pessoas tendem a pensar que e-mails não são mais uma forma eficaz de comunicação. Errado. A questão mais importante dos e-mails é a documentação, ou seja, a trajetória de sua presença na caixa de entrada das empresas será informada posteriormente a outras pessoas.

Atenda a contatos diretos: Não custa dizer que você precisa atender a seu telefone e responder mensagens. Como é improvável que avaliadores te liguem diretamente sem antes terem trocado e-mails ou mensagens, essa ligação normalmente já é esperada. A inacessibilidade a você pode passar uma ideia de descaso e desinteresse.

Seja transparente: Se estiver participando de outros processos, seja transparente. Compartilhe suas agendas e prioridades, sem rodeios. Respeito com o tempo do recrutador é sinal de responsabilidade.

Fase 5 – Seja responsável e pontual

A entrevista ainda é o momento mais decisivo. Não aparecer ou atrasar, seja presencial ou virtual, é o atestado de falta de profissionalismo.

Prepare-se:

  • Antecipe problemas: conexão instável, barulho em casa, imprevistos no trânsito
  • Prepare-se como se estivesse indo ao escritório pela primeira vez
  • Demonstre respeito pelo tempo do outro

Oportunidades se perdem, em muitos casos, por descuidos básicos.

Detalhes comportamentais que eliminam candidatos

A colisão de um mau comportamento

Pense na teoria do iceberg, tão usada em vendas e comportamento: o que vemos na superfície é apenas uma fração do todo. No mundo do UX/UI, antes mesmo de abrir o seu portfólio, sua imagem já emergiu para o recrutador.

Basta um deslize e, pronto, o “iceberg” do seu mau comportamento colide com a seleção — muito antes de você ter a chance de mostrar o que sabe. Atitudes, mensagens impessoais ou até o simples atraso em uma resposta funcionam como alarmes silenciosos.

Posicionamento inadequado na entrevista

Em anos de experiência no mercado, percebemos que de grandes empresas estabelecidas a startups, quando um candidato é selecionado à entrevista, a sua linguagem verbal e não-verbal são determinantes em sua contratação em 90% dos casos.

Considere 2 indicadores principais:

O que fala — As palavras escolhidas, o sentido das frases, uso de gírias, e principalmente, se a pergunta feita está sendo diretamente respondida. Sabemos por elas se há propriedade no assunto, experiência, conhecimento de ferramentas e habilidade de explicar. Só jogar com as palavras não convence.

Como fala — O tom de voz, o jeito como se porta e suas expressões faciais nos dizem muito sobre você. Identificamos rapidamente aspectos como orgulho, desrespeito, desmotivação e desinteresse, que são fatores altamente desclassificatórios em todo processo seletivo.

Passar a ideia errada sobre você mesmo

A partir do momento que você foi selecionado para uma entrevista, não é mais o portfólio ou falta de experiência que contam — tudo isso já foi visto e analisado pelos recrutadores envolvidos — mas sim o que transparece ser na entrevista.

Recrutadores buscam perfis com:

  • Potenciais a serem desenvolvidos
  • Humildade para aprender
  • Comprometimento e profissionalismo
  • Inteligência interpessoal
  • Senso de equipe
  • Capacidade de autogestão
  • Adaptabilidade
  • Interesse pelo trabalho
  • Proatividade
  • Ser “gente boa” — minimamente, deve ser agradável estar ao seu lado

Uma tecla que sempre batemos: Um UX/UI Designer precisa gostar de gente. É um erro grosseiro achar que esse tipo de profissional deve ficar enfurnado numa sala sozinho, em produção absoluta por todas as suas horas de trabalho.

Nem todo mundo precisa ter um perfil de liderança, ser a pessoa que coloca o time para cima ou que conecta. Porém, suas Soft Skills devem agregar ao time. Todos os integrantes devem ter características complementares, deve sempre haver soma.

O segredo de ingressar com sucesso a um grupo de pessoas é rapidamente identificar algo que não tenham, e trazer (ou ser) esse algo. Sempre há espaço para algo agregador.

Não demonstrar propriedade sobre projetos

Durante a entrevista, obviamente o recrutador fará perguntas sobre os cases apresentados no portfólio. A expectativa é que você tenha propriedade sobre eles, mesmo que os projetos não sejam só seus.

Não saber contar a história do projeto e não saber responder a questionamentos é fatal, pois ficará claro que você fez muito pouco ou sequer teve interesse no projeto. Por isso, no portfólio, é importante deixar muito claro qual foi o seu papel, por menor que seja.

Quando a avaliação realmente começa?

Ilusão pensar que a avaliação começa na entrevista via Zoom. O processo real de seleção acontece muito antes, em cada e-mail enviado, cada mensagem compartilhada e na forma como você organiza (ou bagunça) o seu portfólio.

Os sinais — conscientes ou não — falam mais alto do que um pitch ensaiado. Afinal, ninguém quer perder tempo com quem já deixou escapar, logo de cara, que não está preparado para a vaga.

Para nós, a entrevista nunca acaba: você está constantemente sendo avaliado.

Conclusão

A maior parte desses “detalhes” comportamentais é totalmente corrigível — e depende só de você. Um profissional verdadeiramente relevante alinha seu discurso à sua atitude, desde o portfólio até a última mensagem no processo seletivo.

Estar preparado para agir rápido em um processo seletivo é fundamental para que você obtenha sucesso. Para isso, garanta que tudo o que está em seu controle esteja atualizado e seja de fácil edição, para facilitar a todos os envolvidos no processo.

Cada fase de uma candidatura pede compromisso e dedicação, independentemente do nível de experiência. No fim do dia, cada vaga merece ser tratada com seriedade. Pequenas ações conscientes transformam a sua imagem e aumentam exponencialmente suas chances de avançar na carreira de UX/UI.

Tenha maturidade também para não jogar sua frustração no recrutador. Entenda que a única pessoa responsável pelas suas expectativas é você mesmo. Entrar em um processo de seleção pode mesmo gerar ansiedade, nós somos humanos e entendemos isso. Mas ela só pertence a você, e a maneira como lida com isso também diz muito.

Lembre-se: O senso de urgência não é apenas sobre velocidade — é sobre respeito, preparação e profissionalismo. É sobre fazer o tempo trabalhar a seu favor, mostrando que você valoriza a oportunidade tanto quanto a empresa valoriza encontrar o profissional certo.